Freguesia situada a sul de Pinhel, Alverca a Beira foi sede de um importante
concelho extinto por Decreto de 30 de Dezembro de 1853. No largo, em frente da
igreja paroquial de Nossa Senhora da Assunção, levanta-se o pelourinho como que
atestando o valor histórico desta povoação. Do tipo de gaiola, pertence a esse
grupo de pelourinhos muito comuns em toda a Beira Alta. Datado do século XVI, o
monumento em si, encontra-se muito bem conservado.
Embora Alverca tenha sido termo sobre si e concelho próprio, nunca teve qualquer
foral. Antes de pertencer ao actual concelho de Pinhel, fez parte do de
Trancoso, o que também já tinha acontecido antes da sua constituição municipal
como mostram vários documentos do século XIII que incluem a freguesia no termo
trancosão. As Inqui-rições de D. Afonso III dizem que em 1244, D. Gerardo de
Trancoso e sua mulher D. Te-resa Afonso fazem uma grande doação de bens em
Alverca e vendem por cem maravedis que deviam ao Mosteiro de Salzedas todos os
seus bens da Corujeira e os mais que possuíssem à hora da morte. As herdades de
Alverca havia-as dado o concelho de Trancoso ao dito Gerardo, por certo fidalgo,
embora não se possa dizer que fidalgo tenha sido este.
È muito antiga a instituição paroquial de Alverca. Desconhece-se a data exacta
da erecção, sabendo-se no entanto que é anterior ao século XIV pois no
arrolamento paroquial de 1321 a Igreja de Santa Maria de Alverca foi taxada em
100 libras. Esta elevada quantia demonstra a importância que a freguesia então
possuía. Como termo de comparação, refira-se que das nove igrejas da vila de
Trancoso apenas a de Santa Maria de Guimarães foi taxada em valor superior - 150
libras. Das sete igrejas existentes no termo, só a de Vila Franca igualou a de
Alverca já que as outras não atingiram as 60 libras.
Existe um curioso documento de 1459 pelo qual o concelho de Trancoso apresentava
a D. Afonso V, em cortes, sete capítulos especiais, seis dos quais referentes á
feira e sua decadência. O sexto capítulo fala da feira mudada “per alverca”,
termo que durante muitos anos intrigou e ocupou muitas horas a vários
historiadores que o não conseguiam compreender. Gama Barros, não sabendo que
sentido lhe dar, cita várias obras e autores sobre o significado de “alverca”: o
Dicionário da Academia, O Elucidário de Viterbo, Covarrobias, P. Alcalá e
Eguilaz. Do profundo exame que fez, acabou por concluir: “nenhuma destas
definições nos parece explicar o sentido da frase per alverca a qual dava
fundamento ao pleito e correspondia, talvez, a conluio ou a outro termo
análogo”. Afinal, sabe-se hoje que não se devia tratar, de forma alguma, de um
nome comum na época, mas do topónimo Alverca, freguesia então do termo de
Trancoso. Tratava-se, pois, de uma feira mudada, por interesses de alguns
indivíduos, de algures para Alverca, com o que a feira de Trancoso era
prejudicada.
O topónimo Alverca parece ser uma corrupção da palavra árabe Alborca, o que faz
pensar numa fundação mourisca. Mas, a ocupação humana do território da freguesia
é anterior ao período árabe como atestam as ruínas de uma antiga fortaleza que o
General João de Almeida identificou no cume do outeiro denominado Castelo.
Situado a cerca de dois quilómetros a sudoeste da povoação de Alverca, a pequena
elevação de terreno ocupava uma “posição importante pela sua natureza e
situação, e por comandar a passagem da ribeira de Massueime, levando os romanos
a aproveitar o castro lusitano já ali existente quando chegaram”. Para o autor
de “Monumentos Militares Portugueses”, a sua história é desconhecida, “mas é
tradição corrente que o castelo de Alverca teria perdido a sua importância, por
abandono da população durante as guerras da reconquista neo-goda”.
As terras da freguesia desempenharam um papel activo durante as invasões
francesas, pois por aqui andaram tanto os invasores como os aliados. Um ofício
de 27 de Dezembro de 1810, enviado do Cartaxo por Wellington, refere que “as
tropas inimigas ... haviam passado o Côa dirigindo-se para a Beira Alta, pelas
estradas de Pinhel, Trancoso e Alverca”. Quando a cidade de Pinhel foi, nesse
ano, invadida, a cavalaria inglesa acampada em Freixedas, efectuou um movimento
de recuo para Alverca da Beira, onde Wellington havia estabelecido o seu
quartel-general. Em Março do ano seguinte foi a vez do general Wilson se
estabelecer na freguesia, e a 5 de Abril era a fronteira transposta por Massena
e seus soldados em fuga.
Existem nesta freguesia alguns velhos solares que lhe emprestam um certo ar de
nobreza. Em um deles, brasonado, está actualmente sediada a Junta de Freguesia
de Alverca da Beira. Igualmente digno de nota é o edifício onde funcionou a
Câmara Municipal, situado em frente ao belo pelourinho. A igreja matriz é um
elegante templo de feição barroca, edificado em 1723. Conserva-se um documento
desse ano, do qual se infere que a igreja foi edificada sobre uma outra,
provavelmente a primitiva. Lê-se nele que Manuel da Cunha Camelo, abade da
igreja de Alverca, e todo o povo, disseram que “compondo-se de novo as paredes
da dita igreja e erigindo-se novamente os três altares que antigamente havia
nela” necessitavam de licença para a benção, a qual lhes foi efectivamente
concedida em 18 de Outubro de 1723.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, panificação, serralharia,
construção civil e pequeno comércio
Festas e Romarias: Santo António (13 de Junho e 15 de Agosto)
Património: Igreja matriz, sede da Junta de Freguesia, antiga Câmara Municipal e
Capela de S. Tardoz
Outros locais: Zona da Feira e Lugar do Outeiro
Gastronomia: Enchidos de porco (morcelas), cabrito assado, perú assado, arroz
doce, biscoitos, esquecidos e filhós
Artesanato: Renda de nó e latoaria
Colectividades: Associação Cultural e Desportiva “Os Alvercenses” e Associação
de Melhoramentos de Alverca
Orago: Santo António
Feiras: Anuais (13 de Junho e 15 de Agosto)
Fonte: ANAFRE