Ocupando uma superfície de 2539 hectares, é esta freguesia formada pelas
povoações de Atalaia e de Carvalhal, que já foi uma freguesia independente,
continuando, no entanto, a constituir uma paróquia cujo orago é S. Sebastião.
Ergue-se a povoação de Atalaia no sopé da vertente oeste do monte do mesmo nome
(741 metros de altitude), que se levanta entre as ribeiras de Celorico, a leste,
e a do Candal, a poente, numa posição dominante e de grande valor militar,
situada a 14 quilómetros a su-sudoeste da cidade de Pinhel.
No topo do monte, junto da Capela de Santo António, existem as ruínas de uma
antiquíssima fortaleza, que na sua origem terá sido um castro lusitano. Não se
conhece a sua história, mas pensa-se que terá sido uma fortificação medieval,
reconstruída durante a Reconquista Cristã, provavelmente no reinado de D. Sancho
I, sobre as ruínas do antigo castro. No sítio mais alto do monte, onde assentava
a cidadela da antiga fortaleza, foi construído em 1646, a expensas do licenciado
Pedro Cardoso Seixas, abade da freguesia, um reduto abaluartado para defender a
povoação das invasões dos castelhanos.
O “Livro de D. Júlio”, que regista a visita pastoral efectuada pelo bispo de
Viseu ao arciprestado de Pinhel, em finais do século XVI, mostra a maior ou
menor riqueza de cada igreja. A de Atalaia possuía um cálice dourado, no valor
de 8 mil réis, muita paramentaria, livros litúrgicos, de constituições e de
visitações. Entre as peças dos fregueses sobressaía uma cruz de cristal,
paramentaria valiosa, toalhas, sinos e a tumba dos defuntos. Das peças do
Santíssimo Sacramento avultavam uma custódia no valor de 15 mil réis e um
riquíssimo pálio de damasco carmesim. A igreja do Carvalhal tinha um cálice,
avaliado em 4 mil réis, diversa paramentaria e outros utensílios para o culto.
As peças dos fregueses eram constituídas por uma cruz de estanho, duas
“alâmpadas”, três castiçais, um frontal de chamalote novo, duas toalhas, uma
campainha no campanário e uma tumba. A igreja não possuía sacristia.
A Exposição de Arte Sacra realizada em 1970, integrada nas comemorações do
bicentenário da cidade de Pinhel, baseava--se, fundamentalmente, nas existências
das quatro mais bem apetrechadas igrejas do concelho, entre as quais, a de
Atalaia. Fo-ram daqui belas peças de ourivesaria, notável paramentaria como o
pálio rico, e retábulos da Irmandade dos Passos, cuja erecção se deu em tempos
muito remotos.
O artesanato tem aqui uma grande expressão. Na Exposição de Artes Regionais e
Costumes, de 1970, a freguesia de Atalaia fez furor com as peças apresentadas,
principalmente o bragal de linho de noiva do Carvalhal, que a esposa do então
ministro do Interior queria a todo o custo comprar. Conta Ilídio Marta que
alguém respondeu: “Saiba minha senhora, que este bragal se vem transmitindo de
geração em geração na mesma família, desde há mais de trezentos anos, e as
roupas da cama só serviram às noivas na noite de núpcias. Por tal motivo isto é
património da família e não se vende”. E, implicitamente, faz parte do
riquíssimo património cultural da freguesia de Atalaia.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio
Festas e Romarias: Função de Passos (Domingo de Ramos) e Santo António (Agosto)
Património: Calvário, igreja matriz e capelas de Santo António e de S. Pedro
Outros locais: Forno comunitário (Lugar do Calvário) e lagares de vinho, de
varas
Gastronomia: Enchidos de porco, borrego assado, cabrito assado, pão-de-ló,
biscoitos e enfarta-brutos
Artesanato: Mantas de farrapos e de lã, passadeiras, rendas e bordados regionais
Colectividades: Associação Amigos do Carvalhal e Associação Casa Recreativa de
Atalaia
Orago: Nossa Senhora da Conceição e S. Sebastião
Feiras:
Fonte: ANAFRE