No “Dicionário Geográfico” do Pe. Luís Cardoso, publicado em 1758, anota-se sobre esta freguesia: “Azevo ... consta de duzentos moradores, divididos em seis quintas, e huma Aldea, que são as seguintes: A quinta de Faya, a do Gabriel, a da Magdalena, a do Juizo, a da Carrasqueira, a de Santo António e Aldea, fundada sobre um alto cabeço, donde está a igreja, e se descobrem terras de sete bispados: do de Viseu, da Guarda, de Coimbra, de Miranda, de Braga, de Lamego e do de Ciudad Rodrigo no Reyno de Castela.

Avistão-se várias povoações, como a praça de Almeida, Pinhel, Trancoso, Marialva, Meda, Longroiva, Villa Nova de Foz Côa, e outras muitas povoações da Província de Trás os Montes, supposto que pela grande distância mal se divisam”.
A sua igreja paroquial tinha quatro altares, o altar-mor dedicado à padroeira e ao Santíssimo Sacramento, os outros três, da invocação do Menino Jesus, de Santa Luzia e de Nossa Senhora do Rosário. Espalhadas pela freguesia encontravam-se várias ermidas. Havia uma Confraria de Defuntos, à qual o pároco de 1758 chama “hum obito” e “há tempo imemorial foy instituida por Martim Caxi e sua mulher Severique Esteves; e deixarão por legado, que à custa do rendimento della se vestissem pobres, casassem orfãs, e se desse funeral a muitos pobres”.
Segundo a “História da Igreja”, de Fortunato de Almeida, existiu aqui um hospício pertencente a monges que se dedicavam à cura do fogo de Santo Antão. O hospício de Santo Antão da Aveleira parece ter sido um dos primeiros desta região.
O topónimo da freguesia tem filiação árabe, isto fazendo fé no “Lexicom Etymológico das Palavras Portuguesas, que têm origem arábica”, composto por ordem da Academia Real das Sciencias de Lisboa, em 1830. Sobre Azevo lê-se: “Azebo - (em árabe: Azzaibo). Significa Lugar do Cabelludo. Deriva-se do verbo Zaba - ser peludo, ter muito cabelo”.
Pelos finais do século XV, Azevo foi uma das freguesias mais atingidas pelo célebre “Saque dos Marialvas”, tornado lendário e estudado por diversos historiadores, desde Herculano aos contemporâneos. O saque atingiu quase todo o actual concelho, e relacionado com ele, existe uma sentença dada por D. Afonso V, em 21 de Julho de 1481 “contra ho Marichall de nossos reynos, e senhor da dita villa de Pinhell, Dom Fernando Coutinho”. Tudo começou com a expedição punitiva que D. Henrique Coutinho, filho do marechal, resolveu fazer a Azevo, pelo facto de os habitantes do lugar se recusarem a efectuar rondas e velas na vila e no castelo de Pinhel. Aí chegado, acompanhado por cavaleiros e peões de Almeida e de Marialva, furtou todo o gado encontrado, ou seja, oitenta cabras, quinze bois e dez vacas. De seguida retirou da igreja o juiz Álvaro Anes, mandando-o enforcar numa trave, o que não se consumou por mandar cortar a corda quando a vítima estava quase asfixiada. Depois de dar uma cutilada na face de Álvaro Gonçalves retirou-se de Azevo levando sob prisão o desgraçado juiz, que por pouco não morrera enforcado, e João Fernandes, os quais deteve na fortaleza de Pinhel.


Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, lagares de azeite, panificação, construção civil, serralharia civil e comércio

Festas e Romarias: Nossa Senhora de Fátima (móvel, Agosto) e Santo Antão (fim-de-semana mais próximo de 17 de Janeiro)

Património: Igreja matriz, Capela de Santo Antão e cemitério medieval

Outros locais: Minas de volfrâmio, Casa do Capitão-Mor, casa brasonada c/ capela e Miradouro (lugar do Alto da Aldeia)

Gastronomia: Enchidos de porco, pé de porco, leitão assado, chouriço assado e feveras de porco

Artesanato: Rendas, bordados e colchas de farrapos

Colectividades: Assoc. Cult. e Desp. de Caçadores de Azevo e Assoc. de Melhoramentos, Cultural, Social e Desp. de Azevo

Orago:

Feiras: Nossa Senhora da Purificação


Fonte: ANAFRE






Azêvo


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