Sendo a mais pequena freguesia do concelho, com uma área de 487 hectares, è,
no entanto, uma das principais em registos históricos. Ervas Tenras entrou na
História logo nos primeiros tempos da monarquia portuguesa. Nos fins do século
XII, ateava-se uma guerra surda, importuna e, por vezes, mortífera, entre Leão e
Portugal, durante a qual Alexandre Herculano muito justamente coloca a batalha
de Ervas Tenras, batalha somente sabida dos nobiliários medievos, mas nem por
isso menos real, pela morte nela de cavaleiros dos mais ilustres de Portugal.
Deve ser, afinal, a acção militar conhecida pelos monumentos do século XIII, por
“a de Pinhel”, que tanto interessa a esta cidade como a Trancoso, por lhes ser
intermédia e ter constituído tão grave perigo para esta vila que a sua população
e de seu termo, que então atingia Ervas Tenras, lhe ligou a promessa perpétua ou
“sina” de Nossa Senhora dos Açores. Esta batalha não custou apenas a vida a
grandes fidalgos portugueses, Vermudo Soares e dois netos de Egas Moniz entre
eles, antes terá sido um grave desastre nacional que ficou durante muito tempo
marcado na alma do povo.
Por esta altura, andava Ervas Tenras ligada a Trancoso, pois incluía-se no seu
termo onde ainda iria permanecer durante algum tempo. No foral concedido a
Pinhel em 1209, é feita a delimitação do concelho, dizendo-se a dado passo que
os termos de Pinhel dividem com Moreira “per Sorval et inde quomodo dividit per
culmen de prato de Ervis Teneris”; o “culmen” do “prato” de Ervas Tenras é o
cume chamado do Castelo, que domina a povoação dos Prados, ao sul da freguesia.
Em 25 de Março de 1262, D. Afonso III deu carta de povoação ao reguengo de Póvoa
de El-Rei, o qual, apesar de este nome designar há muitos séculos uma povoação e
sede paroquial, respeita especialmente a Ervas Tenras. Esse reguengo
denominava-se mesmo de Ervas Tenras na carta de foro, mas já se dizia Póvoa de
El-Rei nos fins do século XIV. Diz D. Afonso III: “faço carta de foro a vós
povoadores do meu reguengo de Ervas Tenras...”. Vê-se também na carta que as
igrejas trancosãs de S. João e de S. Miguel possuíam aqui vários herdamentos. As
Inquirições de D. Dinis mostram que não havia qualquer honra na freguesia, e por
um documento de 19 de Setembro de 1287, o mesmo monarca ordenou que se
entregasse ao concelho de Trancoso uma póvoa, em troca de um prado que o dito
concelho tinha no lugar de Ervas Tenras.
Logo que subiu ao trono, D. Afonso IV convocou os três estados para lhe
prestarem obediência. As Cortes reuniram-se em Évora entre 10 de Abril e 2 de
Maio de 1325. O concelho de Pinhel fez-se representar por Fernão de Sella que
apresentou protestos contra diversos abusos cometidos por D. Gonçalo Coutinho,
filho do conde de Marialva.
O rol de queixas estava dividido em quatro capítulos. No primeiro, acusava-se D.
Gonçalo de haver feito uma coutada em Ervas Tenras, sem que lho fosse permitido,
usando ainda da força para levar muito gado, o que levou o concelho a citá-lo
perante o Corregedor da comarca, ao que ele não obedeceu. O monarca ordenou ao
Corregedor que não consentisse ao arguido ter coutada e que, quando não se
fizesse obedecer, procedesse contra ele em harmonia com as “Ordenações e o
Direito”.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, construção civil e pequeno
comércio
Festas e Romarias: Santo Antão (domingo seguinte a 17 de Janeiro) e Corpo de
Deus
Património: Igreja matriz e cruzeiros
Outros locais:
Gastronomia: Cabrito assado e borrego assado
Artesanato: Desenhos e trabalhos em madeira, rendas e bordados
Colectividades:
Orago: Nossa Senhora da Conceição
Feiras:
Fonte: ANAFRE