Dista doze quilómetros de Pinhel e está situada junto da margem direita da
ribeira de Massueime, afluente do rio Côa. Segundo alguns autores, chamou-se
antigamente Erve-dosinha, talvez para se distinguir de outras povoações com o
mesmo nome. O “Portugal Sacro e Profano” e o “Portugal Antigo e Mo-derno” assim
a denominam, apesar de, antes deles, em 1708, o Pe. Carvalho da Costa a designar
pelo seu actual nome.
Faz parte de Ervedosa o lugar de Vieiro, que foi sede de uma freguesia há muito
extinta e que tinha S. Vicente por orago. Na época em que a freguesia de
Ervedosa pertencia ao bispado de Lamego era tratada por “Ervedosinha - Vieiro”.
Um documento do início do século XIV mostra que em 1293, D. Aldara de Pinhel,
após ter doado ao Mosteiro de Salzedas muitos bens em Vieiro, recebe dele
rendimentos em Rio de Mel.
Ervedosa foi um curato sob o padroado da Igreja de Nossa Senhora da Purificação
de Azevo, com um rendimento de apenas 2600 réis anuais de côngrua e o pé de
altar. À data da criação da Diocese de Pinhel, a paróquia de “Ervedosa do
Azêvo”, ainda no bispado de Lamego, foi incluída nas “Paróquias da Visita entre
Côa e Távora”. Na reformulação concelhia e episcopal de 1882, a Guarda receberia
algumas paróquias provenientes do bispado de Lamego, constando “Ervedosa com
Vieiro” entre elas, nunca tendo, portanto, chegado a ser do bispado de Pinhel.
As lutas liberais tiveram aqui alguns reflexos, levando às cadeias de Almeida
dois militares naturais e residentes em Ervedosa. Eram eles: Bento da Costa
Seixas, que entrou na prisão a 12 de Outubro de 1829, e Francisco da Costa
Seixas, detido a 16 de Junho do mesmo ano. Tinham sido ambos acusados de
rebelião e mandados prender pelo Corregedor de Trancoso. O primeiro, Alferes de
Ordenanças, foi removido para Lamego em 17 de Fevereiro de 1834 e posteriormente
libertado. O segundo, paisano, faleceu na prisão de Avançada das Portas de Santo
António a 19 de Janeiro de 1833. Estes nomes constam do “Livro de Assentos dos
Presos” que entraram nas prisões militares do Governo da Praça de Almeida entre
27 de Agosto de 1828 e 31 de Outubro de 1833. Contém a extensa relação os nomes
de 1.351 presos.
A população da freguesia, nos fins do século XVII, era de cerca de 200
habitantes residentes em 50 fogos. O censo de 1900 dá-lhe 163 fogos e 516
habitantes. O censo de 1940 atribui-lhe 547 pessoas em 154 habitações. Hoje, o
número de residentes é consideravelmente menor, facto a que não é alheio o
fenómeno da emigração que durante anos grassou por estas paragens. No “Cadastro
da População do Reino”, de 1527, Ervedosa e Vieiro somavam 33 fogos, 15 e 18
respectivamente.
Ocupando Ervedosa uma superfície com uma área de 1.329 hectares, a sua população
encontra no sector primário a principal fonte de rendimento. É terra muito rica
em azeite, como se infere dos seus muitos lagares. Sempre foi considerada muito
abundante em centeio e de grande riqueza cinegética. A pecuária desempenha
igualmente um papel importante na economia destas gentes.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, lagares de azeite, serralharia
civil e pequeno comércio
Festas e Romarias: Divino Espírito Santo (sete semanas após a Páscoa), S.
Sebastião (20 de Janeiro) e S. Vicente (22 de Janeiro)
Património: Igreja matriz, chafariz público, Capela de S. Vicente e Capela de S.
Sebastião
Outros locais: Moinhos de água, margem do rio Massueime e Lugar da Capela
Gastronomia: Cabrito assado, enchidos de porco e borrego
Artesanato: Latoaria, rendas e bordados regionais
Colectividades:
Orago: Div. Espírito Santo
Feiras:
Fonte: ANAFRE