Escreveu Francisco Hipólito Raposo, em “Beira Alta”, “já estamos agora em
Gouveias”, realçando que “vale a pena espreitar o tecto da capela-mor da igreja,
românica mas adulterada, com os quatro evangelistas a rodearem S. Pedro, em
deliciosa pintura ingénua. Sobre a estrada o chalet brasonado e meio abandonado
dos Pessanhas”.
A uma distância de cinquenta anos, valerá também a pena ver o que Sant'Anna
Dionísio anotou no “Guia de Portugal” quando por aqui passou: “... outra aldeia
humilde, Gouveias, num montículo, voltada a poente. Restos de calçada muito
antiga. Perto acharam-se há alguns anos 300 moedas romanas. À saída da povoação,
uma muralha solarenga, dos Pessanhas, da Quinta do Ferro, de Trancoso.
Explorações mineiras bastante activas, nomeadamente de volfrâmio”.
As moedas romanas referidas são prova da antiguidade do povoamento das terras
desta freguesia, mas antes de os romanos aqui chegarem já outros povos por aqui
andavam. Testemunho dessa época é o castro das Gouveias, identificado por João
de Almeida no cimo do cabeço que a uma cota de 786 metros se eleva a oeste da
povoação de Gouveias, a 1,3 quilómetros a norte da ribeira da Pega. Terá sido,
na origem, um castro lusitano que as tropas de Roma adaptaram e fortificaram.
Documento importante para a História da freguesia é a “Carta de Confirmação dos
Privilégios aos Moradores e Governantes das Freixedas e Gouveias”. Interessando
a ambas, esta carta trecentista faz parte do livro I da Chancelaria de D. Pedro
I. Pensa-se que se houve uma carta de confirmação, terá anteriormente havido uma
outra de concessão. Parece que a mesma foi passada em 1142, por Soeiro Pais,
deão da Sé de Viseu, então senhor das duas povoações que deu foral aos que
povoassem “as suas herdades das Gouveias e seu termo, junto a Pinhel, com o foro
do sexto de todo o fruto, além dos oitavos de trigo e de centeio, excepto
versas, porros e frutas das árvores”.
Na Chancelaria de D. João I, encontra-se outra carta de privilégios, dada em
Viseu, a 25 de Setembro de 1429, aos moradores de Gouveias e outros lugares do
termo de Pinhel. Esta carta, transcrita na íntegra, pode ser lida a folhas 151
do livro XXVIII, excertando-se aqui o que parece ser mais importante:
“D. João, pela graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, a quantos esta
carta virem fazemos saber que Nós, querendo fazer graça e mercê aos vizinhos e
moradores das aldeias de Freixedas e Gouveias ... hemos por bem e
autorizamo-lhes e confirmamo-lhes os seus privilégios e liberdades e foros e
bons usos e costumes que sempre houveram e de que usaram em tempos de outros
reis que ante Nós foram até ao tempo da morte de El-Rei D. Fernando, meu irmão,
a que Deus perdoe e mandamos que lhes sejam aguardados e usem e possam deles
usar pelas guerras que sempre usaram em tempos de outros reis até ao dito tempo,
e defendemos que nenhum lhes vá contra eles e, em testamento disto lhes mandamos
dar esta nossa carta”. Gouveias foi do bispado de Viseu até à criação do de
Pinhel. A mitra era responsável pela apresentação do pároco, o qual tinha o
título de vigário. O seu rendimento era constituído por uma côngrua de 40 mil
réis anuais e pelo pé de altar. No arrolamento paroquial de 1320, a Igreja de S.
Pe-dro foi taxada em 80 libras.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, preparação de granito,
carpintaria, construção civil e pequeno comércio
Festas e Romarias: Santíssimo Sacramento (2.º ou 3.º domingo de Agosto – bienal)
e Quinta-Feira da Ascenção (sete semanas depois da Páscoa)
Património: Igreja matriz, Capela de Santo Amaro e cruzeiro do cemitério
Outros locais: Lugar da Grande Luta
Gastronomia: Enchidos de porco, cabrito assado e borrego assado
Artesanato:
Colectividades:
Orago: S. Pedro
Feiras:
Fonte: ANAFRE