Com uma área de 1.677 hectares e distando 8 quilómetros da cidade de Pinhel,
esta freguesia é constituída pelos lugares de Lameiras, a sede, Barregão e
Vendada. A Vendada foi anexa do Manigoto, contando 50 fogos, em 1876. É povoação
antiga e já foi de grande importância, pois D. Afonso III outorgou-lhe foral em
4 de Outubro de 1276, dando-lhe o nome de Póvoa da Vendada. Este foral
encontra-se registado no “Livro I de Doações de D. Afon-so III”, a folhas 140,
na segunda coluna. Vendada é uma paróquia eclesiástica, tendo S. Brás por orago.
O Barregão foi, em tempos, um curato anexo à vila de Lamegal, e tinha, em 1708,
60 fogos. Pertenceu à Comenda de Santo António de Pinhel, de cujo padroado
dependia, pois era o vigário da mesma igreja que apresentava o cura com um
rendimento de 16.600 réis de côngrua, acrescidos pelo pé de altar que era de
grande significado. O prior e a Comenda da Igreja do Salvador abonavam os
primeiros proventos. Em 1876 contava 25 fogos e o orago do Barregão era o Divino
Espírito Santo.
Lameiras, a sede da freguesia, era um curato da apresentação do reitor de S.
Mar-tinho de Pinhel, tendo o cura uma côngrua de 10.000 réis e o pé de altar.
Foi também freguesia do bispado de Lamego antes da criação da diocese de Pinhel,
tendo ainda pertencido à comarca de Trancoso durante trinta anos. Em meados do
século XX, a paroquialidade estava a cargo do reitor de Manigoto.
Em finais do século XVI, era cura da Igreja de N. Sra. da Consolação o Pe.
Cristóvão Velho. Pagava de colheita 274 réis. Havia na freguesia 86 fogos,
pessoas de comunhão, 190, e menores, 54. A visita pastoral dessa época mostra
que em “Ornamentação” havia “um cálice de prata bom que terá 4.000 reis, uma
coroa para a imagem de Nossa Senhora, três cruzes de latão, quatro vestimentas,
a saber, uma de damasco amarela com sebastos de Brocado da China, um broslado de
damasco amarelo da China, umas corrediças de pano da Índia, uma alenterna, umas
galhetas, dois castiçais, uma caldeirinha, um turíbulo, uma tumba onde se
encerra o Santíssimo Sacramento na Semana Santa”.
De “Peças dos Fregueses” sobressaíam “uma cruz boa de prata de 12.000 reis, um
cálice bom que terá 5.000 reis, quatro castiçais, duas alâmpadas, dois sinos,
uma tumba de defuntos sem pano”. Quanto a “Peças do Santíssimo Sacramento”
tínhamos “este dentro na parede em um cofre forrado de veludo carmesim e o lugar
onde está é forrado de madeira e sobre ela tafetá vermelho. Uma custódia que
terá 13.000 reis, um pálio de veludo vermelho com suas franjas, uma alâmpada e
uma arca”. Tinha também esta igreja grades de ferro no arco do cruzeiro.
Lameiras é das poucas freguesias do concelho que conserva intactas as cruzes dos
Passos ou da Via Sacra, tendo algumas sido restauradas em 1940. Conservam-se
igualmente alguns cruzeiros seculares, como sejam o da Vendada, o do Largo do
Forno e o de Barregão. Realce também para algumas casas da freguesia, belos
exemplares da arquitectura tradicional da Beira.
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, construção civil, artefactos para
a construção, alambique de aguardente, serralharia civil e pequeno comércio
Festas e Romarias: Santo António e S. Sebastião (em alternância, último domingo
de Maio) e S. Brás (fim-de-semana mais próximo de 2 de Fevereiro)
Património: Igreja matriz, Capela de Nossa Senhora dos Milagres e Capela do
Senhor d'Assumada
Outros locais: Santuário de Nossa Senhora de Fátima e conjunto habitacional
típico
Gastronomia: Cabrito assado, borrego assado, enchidos de porco, coscoréis,
filhós e esquecidos
Artesanato: Mantas de farrapos, colchas e rendas
Colectividades: Associação Cultural e Desportiva de Lameiras e Rancho Folclórico
de Lameiras
Orago: Nossa Senhora da Consolação
Feiras:
Fonte: ANAFRE