É o número dos seus habitantes, que determina o valor administrativo, económico, político e social, de qualquer agregado populacional, pelo que Pala, povoação e freguesia do concelho de Pinhel, é, nos nossos dias, uma das mais importantes daquele município, o que não podia prever-se, naquela data já tão afastada de 1943, em que, em trabalho subscrito e publicado era considerada uma pobre terra, habitada por pobre gente, em que apenas meia dúzia de famílias se podiam considerar, além da vivência comum, de todas as restantes. Mas isso já vinha do ordenamento geral da População do Reino, de 1727, quando os números então encontrados, lhe davam apenas 42 fogos, que no final do século XVI atingiam 94, com 222 pessoas de maior idade e 51 de idade menor, números constantes do relatório da Visita Pastoral do Bispo de Viseu, de cuja jurisdição fazia parte.

Em 1758, nas "Memórias Paroquiais", vem indicado que tinha 80 vizinhos e 200 pessoas de comunhão, descendo pois, em relação aos finais do século XVI, 14 famílias.
A emigração e os negócios, tornaram possível o desenvolvimento da área urbana da sede da freguesia, os terrenos particulares foram inundados de construções mais ou menos aparatosas, conforme o gosto de quem construiu, às vezes as mais disparadas em relação à arquitectura tradicional e os que se destinaram a loteamentos, foram sistematicamente ocupados com novas construções, e a povoação abriu braços para todos os pontos cardeais. Para norte, construindo, em direcção à bifurcação da estrada de Pinhel para Santa Eufémia, para sul, indo ao encontro da estrada de Pinhel — Vila Franca das Naves, chegando já algumas casas ao alto de Ervas Tenras, para nascente, ocupando áreas de terrenos de magníficas produções, arrancando-se vinhas ricas com exposição ao sol poente, para este lado em direcção à anexa de Reigadinha, que vem já ao encontro da terra sede, e foram surgindo bairros chamados das Lameiras, Albandeira, Cimo do Povo, Seixal e Portela, isto é, em tudo quanto é sítio e possível fazê-lo, se levantaram magníficos prédios, e no interior da aldeia, se abriram ruas largas e espaçosas, que lhe deram um aspecto citadino, com as consequências resultantes do facto.
A igreja paroquial da invocação de S. Si-mão, um mais que modesto templo, desprovido de tudo o que pudesse considerar-se, não dizemos riqueza mas ao menos, a decência que caracteriza terras, onde antes do vil dinheiro, se adora a Deus que o dá: “põe tu o trabalho, que eu te darei o mérito”.
No maior largo levanta-se o “Oratório Público” do Divino Senhor das Almas, e é ali que se fazem as festas, possuindo em dois cruzamentos das ruas da aldeia, dois belos cruzeiros do séc. XVIII. Claro, que a falta de sacerdote próprio leva a esta situação, visto que o último colado que ali teve, foi o Pe. Lopes Bernardes. Na anexa de Reigadinha, o progresso não acompanhou na mesma medida a da sede, muito embora em sítios pontuais existam novos prédios urbanos, e no centro da aldeia, tem o templo do santo padroeiro, Santo Amaro, que em 15 de Janeiro de cada ano, abre as festas religiosas de toda esta vasta região.
Muitos moradores de Reigadinha, também foram Europa fora, procurar riqueza e conseguiram-na, e deles alguns, vivem das pensões do trabalho ali exercido, a que juntam aquelas que o Estado Português lhes dá, vivendo, consequentemente, vida melhor do que aquela que antes tinham.
Também pertence à freguesia, parte da povoação de Vendinha, uma das mais pequenas da área, que se divide com Sorval e Povoa de El-Rei, no concelho de Pinhel, com a freguesia de Granja, no concelho de Trancoso. Tem uma bela capela setecentista, mas a mesma está já fora dos limites da freguesia.
Pala e suas anexas, beneficiaram as suas terras de cultivo, plantando vinhas e pomares, por uma questão de imitação e quantitativo de produção plantaram castas de muita uva mas de baixa graduação, e os produtores não estão inscritos, quer na Adega Cooperativa de Pinhel quer na de Vila Franca das Naves, e alteram as inscrições na que, alternadamente, melhor lhes paga!
No que respeita a outras produções agrícolas, são apenas de subsistência e auto consumo, pois falta aos seus moradores tempo, por, na maior parte se dedicarem ao comércio. Tem na área administrativa, um importante matadouro de abate de animais, especialmente de suínos, que emprega muitos trabalhadores do ramo. Foi importante centro de olaria, nomeadamente a chamada “telha portuguesa”, com numerosos fornos espalhados pela área, de que nos anos quarenta, era a principal industrial Alexandrina Monteiro, viúva, e se continuou nos seus filhos, depois que as forças lhe faltaram. Mas estes encontrando outros meios de enriquecimento, abandonaram a indústria, foram-se apagando os fornos, e os sítios estão hoje apenas como recordação de que existiram.
Portanto, Pala, fundada ainda antes da Nacionalidade por uma fidalga galega, Eudesquina Pala, que lhe deu o nome, é agora a mais progressiva terra de Pinhel, onde muitas terras importantes do princípio deste século e ainda mais nos últimos cinquenta anos caíram, mas em que, ela, pelo mérito do trabalho dos seus filhos, progrediu e se fez uma grande aldeia. Muitas de menos importância foram elevadas à categoria de VILAS. Também esta terra devia sê-lo, como centro importante de trabalho, de progresso e de riqueza que é, fruto da iniciativa e do arrojo de seus filhos, e de fecunda actividade.


Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, comercialização e transformação de carnes, extracção e transformação de madeiras e serralharia mecânica

Festas e Romarias: Divino Senhor das Almas (2.º domingo de Agosto) e Santo Amaro (15 de Janeiro)

Património: Igreja matriz e Capela de Santo Amaro

Outros locais: Parque de merendas, Lugar das Lages e vista paisagística

Gastronomia: Cabrito assado e enchidos de porco

Artesanato: Rendas e colchas

Colectividades: Futebol Clube de Pala

Orago: Divino Senhor das Almas

Feiras:


Fonte: ANAFRE


 



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