A sede desta freguesia fez parte do concelho da Guarda até 12 de Julho de
1895, depois de ter anteriormente pertencido ao concelho de Jarmelo. Tem por
anexa a povoação de Argomil, antiga freguesia independente que integrou o mesmo
concelho de Jarmelo desde os alvores da monarquia portuguesa até meados do
século passado. Dez anos após a extinção do concelho, foi Argomil anexa a
Pomares.
Povoações antigas, as suas igrejas já se encontram citadas no arrolamento
paroquial de 1320. Tanto a de Santa Maria de Pomares como a de Santa Maria de
Argomil foram taxadas em 12 libras. O orago de Argomil era Nossa Senhora da
Conceição. É curiosa a situação eclesiástica das duas povoações antes da
anexação. O pároco de Argomil era prior apresentado pela família Pina de
Carvalho, da Guarda, com o rendimento de 90.000 réis, enquanto Pomares era um
curato, pertencendo o provimento do lugar de pároco ao prior de Argomil. Os
rendimentos do cura eram de 16.000 réis de côngrua e o pé de altar. Vê-se assim
que, eclesiasticamente, foi Argomil superior à actual sede da freguesia.
A devoção das gentes desta freguesia concentra-se na Senhora de Lagoa e na
ermida de sua invocação, situada no lugar de Argomil. Tem uma irmandade e
concorrida romaria anual, realizada em 8 de Setembro. Depois de Nossa Senhora
das Fontes é Nossa Senhora de Lagoa a mais celebrada do concelho de Pinhel,
atraindo, durante a sua festa, verdadeiras multidões de devotos tanto de Pinhel
como da Guarda.
Implantada no alto de um planalto e com a lagoa que lhe deu o nome beijando--lhe
os pés, a ermida é vasta e espaçosa. No púlpito vê-se gravado o ano de 1760 que
poderá ser a data da fundação ou de uma reedificação. No corpo da capela há dois
altares laterais, góticos, encostados ao arco principal, o da direita dedicado a
Santa Ana, o da esquerda, a Nossa Senhora de Lourdes. No altar-mor preside a
imagem de Nossa Senhora da Lagoa, vestida de manto e túnica de cor azul.
Ladeiam-na dois nichos onde figuram o Sagrado Coração de Jesus e Santa
Teresinha. O “Santuário Mariano” de Frei Agostinho de Santa Maria refere-se a
esta ermida.
Na base da edificação do templo está uma lenda que fala de uma pequena pastora e
de uma imagem da Virgem que a ajudou a sair de aflitiva situação, após ter caído
à lagoa. Depois de o pároco de Pero Moço ter confirmado a veracidade da
história, a imagem foi conduzida para aquela aldeia, só que desapareceu
misteriosamente, vindo a ser encontrada no primitivo lugar.
Esta freguesia apresenta seguros indícios de ter sido habitada desde os tempos
mais remotos. Os primeiros povos terão sido atraídos pelas condições do solo e
abundância da água, ou talvez por influência mítica de diversas configurações
graníticas, tais como a pedra bulideira da Testada, o Barroco da Torre ou os
Altares. Com efeito, encontram-se vestígios de cultura céltica na cruz gamada
das Corti-nas; da cultura romana, na pedra de consagração que aí se encontra; de
culturas posteriores, em quatro lugares distintos (Pedreiro, Prado, Cortinas e
Vilares), onde se encontram cinco “camas de mouros”, designação local de
sepulturas medievais; e o lagar da Tapada da Serra é outro testemunho da fixação
do homem, dos seus hábitos e da utilização
Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, construção civil e pequeno
comércio
Festas e Romarias: Senhora da Lagoa (8 de Setembro)
Património: Igreja matriz, Capela da Senhora da Lagoa e Capela de Argomil
Outros locais: Largo da Capela da Senhora da Lagoa, lugar de Tapada da Lapa ou e
jardim no Largo do Rossio
Gastronomia: Enchidos de porco, cabrito assado, borrego assado, bexigo de porco
e migas pobrezinhas
Artesanato: Rendas, bordados e tapetes tipo Arraiolos
Colectividades:
Orago: Santa Maria Madalena
Feiras:
Fonte: ANAFRE