Está a mui antiga povoação de Póvoa de El-Rei situada a 1,5 km da margem
direita da ribeira de Massueime, e a 12 km a poente da cidade de Pinhel, sobre a
antiga estrada militar que ligava esta cidade a Trancoso. Faz parte do grupo de
freguesias que ficam encravadas na região mais acidentada de todo o concelho,
limitando-o com os vizinhos concelhos de Meda e de Trancoso.
Sobre o cume de um cabeço, a 572 metros de altitude, que se levanta na orla sul
da povoação, o General João de Almeida identificou “os vestígios de uma vetusta
fortaleza, hoje completamente impossível de identificar”. Segundo o autor de
“Monumentos Militares Portugueses”, não se conhece “a sua história, mas, pela
situação e vestígios ainda existentes da ocupação romana, como a ponte sobre a
ribeira de Massueime, é de supor que os romanos ou os alanos tivessem ali
construído um castelo sobre as ruínas de um castro lusitano, para guarda da
estrada militar, tipo romano-medieval, de Pinhel a Trancoso, e que, tendo caído
em ruínas, fosse reedificado por D. Sancho I, que se presume ter sido o fundador
da sua Póvoa”.
Não se sabe concretamente se o primeiro Sancho terá sido o fundador da Póvoa. O
que está fora de dúvida é que D. Afonso III lhe deu carta de foral em 25 de Maio
de 1262, mais tarde renovado por D. Manuel I, em 15 de Abril de 1514, mas
incluindo-o no de Nespereira. No tempo do “Bolo-nhês”, toda a região em que a
freguesia se integrava encontrava-se bastante despovoada, devido a guerras e
epidemias, como sucedia em Rio de Mel, actual freguesia de Trancoso. A
atribuição do foral de 1262 é um facto sintomático de que em todas aquelas
épocas se observam povoamentos régios que denunciam despovoamentos.
Julga-se que o povoamento ou fundação da “pobra” pelo monarca deve ser uma
réplica à da Granja, na posse monástica, pois aquele soberano fazia muitas
fundações com o acinte referido, de hostilidade às “ordens” (Sés, igrejas,
mosteiros, etc.). De resto, até nas Inquirições de D. Dinis se revela que em
termo trancosano, ao qual Póvoa pertenceu durante séculos, “há aí herdamentos
muitos que não são povoados, que mandaram os homens a mosteiros e igrejas”,
desde o tempo de D. Afonso III. D. Dinis, por sentença de chancelaria, ordena a
devassa de tais “herdamentos das ordens”, isto é, a entrada aí, dos exactores do
fisco. Neste tempo, já existia Póvoa de El-Rei como julgado sobre si,
consequência da “pobra” afonsina, mas subordinada a Trancoso. As Inquirições não
revelaram quaisquer honras aqui existentes.
Em 1320, já aparece mencionada no “Catálogo das Igrejas do Reino” a de “S. João
da Póvoa de Rei”, taxada em 50 libras. Constituiu uma abadia da apresentação do
padroado real, sendo o rendimento do respectivo pároco de 150 mil réis anuais.
Em 1900, a paróquia fazia parte do arciprestado de Alverca da Beira. Em meados
deste século era a paroquialidade exercida pelo pároco de Santa Eufémia. Existe
um interessante documento do século XVII que diz: “António Saraiva de Sampaio e
sua mulher D. Guiomar de Vasconcelos, fizeram uma Ermida do Apóstolo Santiago
junto das suas casas de morada, no lugar da Póvoa de El Rei, termo da vila de
Trancoso”. Por escritura do dote de 16 de Julho de 1620, deixaram para o asseio
da ermida “uma mata e souto com mais de vinte pés de castanheiros”. da terra.
Actividades Económicas: Agricultura e pecuária
Festas e Romarias: Nossa Senhora de Fátima (último domingo de Maio)
Património: Capela de Nossa Senhora do Prado, fonte e chafariz
Outros locais:
Gastronomia: Enchidos de porco (fumeiro)
Artesanato:
Colectividades:
Orago: S. João Baptista
Feiras:
Fonte: ANAFRE