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Situada a sudoeste de Pinhel, entre o rio Côa e a ribeira das Cabras, na falda do monte que desce em direcção àquele, Vale de Madeira tem no caminho uma bonita perspectiva da cidade, e apresenta, além de uma ou outra casa de alpendrada tipicamente beirã, uma enigmática capelinha oval toda em granito com campanário e pedra de armas (Figueiras e Portugais), e completamente isolada da povoação em jeito de eremitério.

Desaparecida há já algum tempo, depois de proibida pela autoridade eclesiástica, realizava-se aqui uma festa chamada “Fama”, de que muitos ainda falam com saudade e admiração. Tinha lugar durante as festas do orago, Mártir S. Sebastião, e nela marcava as tradições o homem mais velho da terra, que montando fogoso corcel branco, quando o havia, lia ao povo, em voz alta, a “fama do mártir”.
O “famista” percorria as principais ruas da freguesia, antes de começar o arraial, ao cair da noite e à luz de archotes, a declamar, em verso, a Fama, resumo da vida do santo. Também nesta ocasião, o famista fazia uma alusão às famílias que tinham contribuído generosamente para a festa. A expectativa era sempre muita e todas as pessoas da aldeia vinham à janela e se aglomeravam nas ruas para, com respeito e compostura, escutar a Fama. Era uma espécie de vestígio de teatro medieval, através do qual o povo aprendia a memorizar a vida, os milagres e os exemplos dos santos. Depois realizava-se o arraial, em que não faltavam a música, o fogo preso e as tendas dos doceiros e dos taberneiros.
Vale de Madeira foi um curato da apresentação do prior de S. Salvador da cidade de Pinhel. Nos finais do século XVII, tinha 80 fogos e 320 habitantes, registando, no censo de 1900, uma população de 290 habitantes residindo em apenas 73 fogos. Em 1930 deu-se nova descida, 68 habitações para 286 pessoas, número este que é hoje ainda menor.
Aquando da visita pastoral efectuada pelo bispo de Viseu, nos finais do século XIX, era cura o Pe. André Cordeiro, natural de Pinhel. Pagava de colheita 274 réis. De prata e ornamentos, possuía a Igreja de S. Sebas-tião “um cálice que tem 4 mil réis, dois castiçais, uma campainha, umas galhetas, um turíbulo, uma caldeirinha. Não tem sacristia. Tem bastantes paramentos, livros e outros utensílios”. As peças dos fregueses eram compostas de “uma cruz de prata que terá 12 mil reis com sua manga de damasco carmesim, dois castiçais, duas alâmpadas, dois sinos e uma tumba para defuntos”. Quanto a peças da Confraria do Santíssimo Sacramen-to havia “um pálio da Índia, velho, uma alenterna, uma alâmpada, um sacrário que está no pé do altar principal. O retábulo está por pintar e tem a imagem de S. Sebastião no meio”. A antiquíssima igreja paroquial, muito bonita, apresenta um estilo românico pobre.
Esta freguesia foi berço de Joaquim Albuquerque de Vilhena, tenente-coronel de milícias, que exerceu o sacerdócio de uma das freguesias da cidade de Pinhel, tendo legado avultadas quantias às irmandades do Santíssimo Sacramento e do Senhor dos Passos, com a obrigação de algumas missas anuais, em sufrágio da sua alma. Os belos, verdes e férteis campos de Vale de Madeira são a principal riqueza e a fonte de sustento dos habitantes desta freguesia.


Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, olivicultura, vitivinicultura e pequeno comércio

Festas e Romarias:

Património: Igreja matriz, Capela de Santa Bárbara, calçada romana e ponte romana

Outros locais: Margem do rio Côa, praia fluvial e lugar de Pedra da Areia

Gastronomia: Enchidos de porco, cabrito assado e borrego

Artesanato: Rendas e colchas

Colectividades: Amigos da Águia Real de Vale de Madeira

Orago: S. Sebastião

Feiras:


Fonte: ANAFRE



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