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A freguesia de Vascoveiro estende-se sobre uma superfície com uma área de 1781 hectares. Localizada a cerca de cinco quilómetros ao sul da sede do concelho, Vascoveiro assenta na falda de um monte onde predomina o granito. Lá no alto, entre duras fragas, a secular Ermida de Santa Bárbara domina a povoação e os campos em redor.

Como anotou Ilídio Marta nas suas “Notas e Factos” de 1943, Santa Bárbara é “o centro de devoção daquela gente, e na povoação o drama da sua vida é tradicional e periodicamente levado à cena, naquele ambiente de ingenuidade que só almas simples são capazes de fazer sentir, ainda que em contraste com o gáudio que a representação quase sempre provoca em muitos espectadores. E ocorrem-nos agora, a Santa, bela moçoila com os seios cortados, os diabretes vomitando chamas no meio de barulho ensurdecedor, em esgares e atitudes que fazem chorar as crianças e arrepiar os cabelos a muitos. Depois... o enterro da virgem e mártir, em que o velho sacristão, subido de posto, enverga os hábitos sacerdotais para presidir ao préstito que desfila entre a assistência, enquanto do improvisado coreto a Filarmónica faz gemer desafinadamente uma marcha fúnebre. No fim, aplausos - se alguém levar o caso de brincadeira, pode dar motivo a qualquer desordem - com os personagens a agradecer em vénias e mesuras”.
Vascoveiro é terra de povoamento muito antigo como o atesta o grupo de sepulturas escavadas na rocha, situadas junto à estrada no vale de Manigoto. Em 1320, no “Catálogo das Igrejas do Reino”, vem mencionado por orago da freguesia Santa Maria de Vasco-veiro. Durante séculos a padroeira foi Nossa Senhora da Consolação, substituída depois por Nossa Senhora da Assunção.
Era rico o património da igreja de Vascoveiro, principalmente em peças de prata. Tinha “um cálice de prata que terá 4 mil reis ... dois castiçais, uma galheta, um turíbulo, uma caldeirinha de água benta, uma bacia e outra caldeirinha, além de paramentaria, roupas litúrgicas, missal, livros de registo, livros de visitações e constituições”. As peças dos fregueses eram constituídas por “uma cruz de prata boa, com sua manga de tafetá e caixa, uma alâmpada, dois castiçais, um sino, uma roda de campainhas e uma tumba para defuntos com seu pano, além de quatro toalhas”.
Quanto a peças da Confraria do Santíssimo Sacramento “tem esta igreja um Retábulo, no pé do qual está o Santíssimo Sacramento em um sacrário de pedra, forrado de tábua por dentro e de tafetá vermelho. O Retábulo tem ao cimo uma imagem de Nossa Senhora e tem corrediça e sobrecéu. Há ainda uma custódia de prata que custou 12 mil reis e uma alâmpada”.
Nos fins do século XVII, tinha o Vascoveiro 76 fogos e 304 habitantes, apresentando 106 fogos e 368 habitantes pelo censo de 1900.


Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, suinicultura, extracção de granito, serralharia civil e pequeno comércio

Festas e Romarias: Santa Bárbara (2.º fim-de-semana de Agosto) e Senhora das Candeias (2 de Fevereiro)

Património: Capela de Santa Bárbara, Cruzeiro no Largo do Enchido e sepulturas antropomórficas no vale de Manigoto

Outros locais: Lugar da Capela de Santa Bárbara

Gastronomia: Enchidos de porco, cabrito assado, borrego assado, coscoréis, biscoitos esquecidos e arroz doce

Artesanato: Rendas e bordados

Colectividades: Assoc. Cult. e Recr. de Vascoveiro e Assoc. de Caça de Vascoveiro

Orago: Santa Bárbara e Nossa Senhora das Candeias

Feiras:


Fonte: ANAFRE



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