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É a mais populosa e progressiva freguesia do concelho de Pinhel, depois da sede do mesmo. A sede da freguesia, arejada povoação edificada em uma chã, a cerca de 700 metros de altitude, foi quartel general e posto de observação da cavalaria inglesa em Agosto de 1810, antes da capitulação de Almeida.

Em Março do ano seguinte, quando os franceses retiravam rumo à fronteira, convencidos da sua impotência, voltou a povoação a ser palco de grandes movimentações. Wellington, que vinha já no encalço dos invasores, ordenou que a cavalaria seguisse em direcção a Freixedas, ponto fulcral do plano de perseguição.Período negro e sofrido ocorreu no século XV, quando Freixedas foi vítima do ódio e da sanha dos Coutinhos. Quase nenhuma freguesia do concelho escapou e muito menos Freixedas, mesmo apesar de situada mais para sul e fora do trajecto normal das hordas, que de Marialva vieram. O povo do concelho de Pinhel amaldiçoou os de Marialva pela boca do procurador Domingos Lopes, que atingido por um golpe nas costas, caíra indefeso ao chão: “Maldita seja de pais a filhos a Casa de Marialva! Que se suma no inferno”.
No início do século XIV, já aqui tinha havido um diferendo que foi levado às Cortes de 1325, onde Fernão de Sella apresentou a D. Afonso IV um rol de queixas contra os Coutinhos. No capítulo III desse documento lê-se que o conde de Marialva houvera fixado a sua residência, durante cinco semanas, na aldeia de Freixedas “tomando o que lhe aprazia para seus mantimentos, nada pagando nem querendo pagar, e que assim era roubado o concelho”. A sentença de D. Afonso IV foi de “que o corregedor obrigue o conde a pagar por seus bens, onde quer que os tenha, tudo o que tomou aos habitantes de Freixedas”.
As origens de Freixedas encontram-se numa época incerta, muito distante no tempo. Sabe-se que a povoação já era conhecida, grande e importante no período árabe, como afirma Gama e Castro e também o “Dicionário Geográfico” que diz: “Dentro da mesma freguesia há um sítio chamado os Castelos, que mostra ser área de povoação grande no tempo dos mouros, porque se diz haver vestígios de o ser em pedras lavradas, tijolos e ferragens que descobrem os lavradores, e sinais de ruas e calçadas, e por muitas vezes se têm achado pedras abaladas e poços altos, havendo suspeita de uma ou outra coisa, se faz com intento de tirar minas e tesouros; e no cimo deste sítio, entre umas fragas, se encontra uma árvore de carrasco que nunca seca nem mais cresce; e dele se avistam para a parte norte os castelos e muros das vilas de Trancoso e Marialva e, para a parte nascente, os de Almeida, Castelo Rodrigo e Pinhel”.
Nesse ano de 1758, a freguesia de Frei-xedas integrava o concelho de Alverca da Beira, onde permaneceu até à sua extinção em 1853. Eclesiasticamente, era uma vigairaria da apresentação do padroado real e o vigário vencia “de côngrua quarenta mil réis pagos pelos rendimentos da Comenda que é do Conde da Ponte, e mais dez almudes de vinho e seis alqueires de trigo”.
A Comenda de S. Martinho das Freixedas era uma “Comenda Nova”, no valor de 20.000 cruzados; era da Ordem de Cristo e foi criada pelo Papa Leão X, a pedido de D. Manuel I, em 1514. Esta comenda possuía oitenta e nove propriedades e a sua importância é aferida pela quantidade de documentação com ela relacionada, encontrando-se provisões e alvarás desde D. João III a D. João VI.
Os principais lugares da freguesia, para além da sede, são: Espedrada, João Durão, Moinhos da Veia e Prados. A Espedrada aparece já mencionada no foral dado por D. Sancho I a Pinhel: “et inde vadit Espedrada”. Na Torre do Tombo existe um documento referente a uma doação do século XIII, em que D. Urraca, filha de Afonso III, dá “metade da aldeia que se chama Espedrada na Beira”. Mas, documento precioso e importante para toda a freguesia é a “Bula do Papa Urbano VIII, concedida em 1635 aos Irmãos da Confra-ria de Nossa Senhora da Esperançada do lugar de Freixedas”. Trata-se de um manuscrito em pele de carneiro, em latim, que se encontra encaixilhado e exposto na sacristia da igreja matriz.


Actividades Económicas: Agricultura, pecuária, extracção de granitos e mármores, serração de madeiras, serralharia e construção civil

Festas e Romarias: Santo Antão (domingo mais próximo de 17 de Janeiro) e Santa Eufémia (fim-de-semana mais próximo de 16 de Setembro)

Património: Igreja matriz e capelas de Santo Antão, de Santa Eufémia e da Senhora da Esperada

Outros locais: Lugar do Miradouro na Capela de Bonfim e Largo do Rossio

Gastronomia: Enchidos de porco, cabrito assado, borrego assado, feijão, grão de bico, couve, coscoréis, filhós e esquecidos

Artesanato: Tapeçaria, rendas, bordados e latoaria

Colectividades: Assoc. Recr. de Acção Cult. e Desp. de Freixedas e Centro de Dia da Fundação Teodora da Fonseca Carvalho

Orago: S. Martinho

Feiras: Mensal (4.ª segunda-feira de cada mês) e anuais (17 de Janeiro e 27 de Agosto)


Fonte: ANAFRE



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